SPDM - Reprodução Humana

Fatores ambientais parte II: Obesidade

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Atualmente, não existe dúvida sobre o efeitos negativos, tanto do excesso quanto da falta de peso (na verdade, a quantidade de massa do corpo), sobre a fertilidade. Basicamente, o peso resulta de um balanço entre a ingestão de alimento (tipo e quantidade) e o gasto energético do indivíduo (no trabalho habitual ou no exercício físico). A medida do excesso ou da falta de peso é feita por meio do índice de massa corporal (BMI, em inglês, body mass índex), que é uma relação entre o peso (P) e o quadrado da altura (H). Por exemplo, uma pessoa com um metro e setenta e pesando 78 quilos, terá um BMI:

BMI = peso/(altura)² = 78 / (1,70)² = 26,98

 

 

Por questões práticas, são consideradas 4 faixas de BMI:

- abaixo de 18,5:    baixo peso

- de 18,5 até 24,9: peso normal

- de 25 até 30:       sobrepeso

- acima de 30:        obesidade

 

As faixas de BMI onde incide taxa maior de problemas relacionados coma fertilidade são a primeira e a quarta.

No homem obeso, o acúmulo de tecido gorduroso faz com que aumente a fabricação do hormônio chamado estradiol, que é o principal determinante das características sexuais femininas (isso mesmo: aumenta a síntese de hormônio feminino no homem!). Com isso, ocorrem alterações hormonais outras que, em conjunto, produzem redução da quantidade e qualidade de sêmen. Ainda mais: o aumento de peso tem uma relação direta com o aumento da fragmentação do DNA dos cromossomos dos espermatozoides, prejudicando a fertilização dos oócitos (óvulos) e o desenvolvimento dos embriões. O acúmulo de estradiol, ao lado de outras alterações hormonais (principalmente a redução da testosterona, hormônio masculino), também tende a produzir impotência sexual. No caso de homens com escassez de peso, há uma tendência à redução da concentração espermática, não existindo um número suficiente de estudos para que se possa afirmar mais algum outro efeito deletério.

A mulher obesa tem maior chance de abortamento do que a mulher com BMI normal e, além disso, o tempo gasto para obter a gravidez natural tende a ser maior do que o tempo gasto pela mulher não obesa. Quando é necessária a fertilização in vitro, as mulheres obesas exibem menores taxas de gravidez que as normais. Além disso, a taxa de implantação do embrião é menor nas obesas. Tomado em conjunto, a obesidade faz reduzir a taxa de sucesso nos procedimentos de fertilização in vitro. A mulher BMI menor que 17 tem maior tendência a mau funcionamento dos ovários, tendo infertilidade por falta de ovulação.

A obesidade está seguramente associada a maior ocorrência de diabetes e pressão alta. E, como vimos acima, também se associa à redução do potencial de fertilidade, tanto do homem como da mulher. Considerar a obesidade como “genética” ou “familiar”, irreversível e não passível de tratamento, é um erro. É possível tratar adequadamente a obesidade, e a complexidade do tratamento deriva do fato dela depender de interação de vários fatores: por isso, o diagnóstico e tratamento devem ser conduzidos por médico especialista.

Para mais informações:

http://www.hospitalsaopaulo.org.br/reproducaohumana

55392814 – 55395526 – 55392084 – 55392581

 

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Dr Jorge Haddad-Filho,  médico do Serviço de Reprodução Humana do Hospital São Paulo

 

   
   

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