SPDM - Reprodução Humana

Fertilização in vitro faz a menopausa vir mais cedo?

Conforme passa o tempo, o número de óvulos disponíveis nos ovários diminui:

Idade da mulher

Nº estimado de óvulos

20 semanas (intrauterina)

6 a 7 milhões

No nascimento

1 a 2 milhões

Na puberdade

300 a 500 mil

Aos 37 anos

25 mil

Aos 51 anos

mil

 

Os óvulos que restam nos ovários formam a reserva ovariana, que, portanto, diminui com a idade. Uma forma de se conhecer a quantidade de folículos nos ovários é medir, no sangue, o hormônio anti-mülleriano (HAM). Esse hormônio é fabricado por folículos pequenos dos ovários (folículos são bolsas que envolvem os óvulos). Desse modo, quanto maior a concentração de HAM, maior a quantidade de folículos e, portanto, de óvulos.

Durante a fertilização in vitro, os ovários são “bombardeados” com hormônios, com o objetivo de fazer com que cresçam vários folículos. Será que esse crescimento, não fisiológico, determina uma perda maior de folículos e uma antecipação da menopausa?

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Embora não exista uma resposta clara a essa pergunta, as evidências parecem apontar que não ocorre essa influência. Cerca de 3 dias antes do início da menstruação, alguns folículos dos ovários começam a crescer, por influência do hormônio FSH (hormônio folículo estimulante), que aumenta. Com o seu crescimento, o consumo de FSH vai aumentando até que não seja suficiente para todos. A partir daí, alguns dos folículos começam a “morrer” (o que se chama atresia folicular). Em geral, a partir do sétimo dia do ciclo menstrual, apenas um consegue crescer nesse ambiente pobre de hormônios, que é o folículo que vai ovular (chamado dominante).

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Quando ocorre a estimulação ovariana, o que estamos fazendo é a administração de FSH quando sua concentração no sangue está começando a diminuir. Assim, a falta relativa de FSH é compensada e alguns folículos que iriam “morrer” conseguem prosseguir o crescimento. Dessa forma, a estimulação é mais um resgate dos folículos que iriam desaparecer, em vez de ser uma técnica que obriga os ovários a “gastarem” mais folículos. Esse mecanismo mostra que a estimulação ovariana, salvo novas descobertas que venham em contrário, não tem potencial para antecipar a menopausa.

  

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Dr Jorge Haddad-Filho, médico do Serviço de Reprodução Humana do Hospital São Paulo

   
   

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