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Troca de cartas auxilia no tratamento de pacientes com câncer

Troca de cartas auxilia no tratamento de pacientes com câncer

A medida faz parte do acolhimento psicológico do Hospital Municipal de Barueri, que realiza 130 atendimentos por mês  

Com a facilidade dos inúmeros aplicativos para mandar mensagens rápidas e sem muita elaboração, escrever cartas parece uma ideia antiquada. Mas, um método tão simples, composto apenas por papel, caneta e emoção, pode trazer inúmeros resultados positivos tanto para quem escreve quanto para quem recebe uma mensagem. Para redigir uma carta, o que realmente importa é apenas o sentimento. E é justamente este sentimento, trabalhado em forma de palavras, que pode ajudar no tratamento de doenças. 

Dentre as atividades propostas pelos psicólogos do Hospital Municipal de Barueri (HMB), unidade da Prefeitura de Barueri gerenciada em parceria com a SPDM - Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina, a troca de cartas, técnica que permite transformar emoções em palavras, merece destaque por ser acessível e eficaz. No hospital, a psicologia faz parte da equipe multidisciplinar, que acompanha o paciente com câncer, composta por oncologista, radioterapeuta, enfermeiro, nutricionista, fonoaudióloga e assistente social. 

O acolhimento psicológico ingressa no tratamento desde a primeira consulta com o oncologista e segue durante a investigação do diagnóstico, a internação, o tratamento até a reabilitação, com objetivo de auxiliar o paciente no enfrentamento da doença. Na avaliação do caso é possível saber sobre o histórico psíquico, se há transtornos como depressão e ansiedade e entender qual a melhor forma de cuidar do paciente. “Ainda há muitos preconceitos na sociedade diante do diagnóstico de câncer. O próprio paciente chega com dificuldade até de pronunciar o nome da doença, como se fosse contagiosa ou como se fosse sinônimo de morte”, comenta Caroline Agudo, psicóloga oncológica do HMB. A área realiza em torno de 130 atendimentos por mês.  

Paralelamente à verbalização, que é a abordagem mais comum, a psicologia também incentiva a troca de cartas entre familiares e pacientes para transmitir as emoções e os pensamentos sobre e para além da doença. A expressão no papel é a alternativa mais apropriada em casos que o paciente não consegue conversar sobre o câncer, pois trabalha a própria aceitação e também melhora a comunicação e a aproximação da família. Muitas barreiras são criadas em torno da doença, e uma delas é esconder o sentimento na tentativa de parecer mais forte, atitude tomada tanto por quem está doente quanto por quem está próximo. A ideia das cartas é justamente quebrar este paradigma para fazer com que todos trabalhem com o sentimento e pensem nos sintomas da alma, que geralmente não são verbalizados. Vale destacar também a percepção do fortalecimento dos laços familiares de pacientes internados, que não podem receber visitas das crianças, mas recebem desenhos e palavras de carinho. 

Assim como acolhe o paciente, o setor de psicologia também recebe os familiares, para que juntos consigam passar pelo momento da crise e gerenciar melhor todo o processo da doença. “Nossa intenção é sempre tratar do paciente como um ser integral, e não limitar-se à doença. É preciso saber em que momento da vida o câncer chegou e quais consequências ele traz para a família toda”, explica a psicóloga. Os profissionais da saúde, que lidam diretamente com esses casos, também recebem orientação para aprender a lidar com sentimentos como negação e raiva. 

O atendimento psico-oncológico oferece um tratamento individualizado e humanizado. “É no acolhimento que podemos entender o desejo mais urgente do paciente naquele momento, seja espiritual, emocional ou até mesmo situacional, pela vontade de comer determinado alimento ou por querer receber a visita de uma pessoa em especial, e pensar em uma forma de realizá-lo”, esclarece Caroline, que destaca a importância deste tipo atendimento acontecer no mesmo local do tratamento quimioterápico, pela facilidade de compreensão do caso como um todo e, principalmente por viabilizar, a participação dos familiares.

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