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Por que a variante indiana do coronavírus preocupa as autoridades brasileiras?

Por que a variante indiana do coronavírus preocupa as autoridades brasileiras?

Restringir a circulação do vírus é fundamental para evitar novas linhagens

Não é de hoje que variantes do novo coronavírus preocupam governos e autoridades sanitárias. Os motivos são diversos e, dentre os principais, estão uma melhor capacidade de transmissão e uma carga viral menor para o desenvolvimento da Covid-19. Entre essas alterações genéticas, a preocupação com a linhagem B.1.617, encontrada na Índia, aumentou devido à onda de casos da doença provocados por ela no país.

“Esses vírus mutantes podem adquirir características diferentes, podem ‘escapar’ da resposta imunológica, ter maior potencial de multiplicação ou de transmissão. O que está acontecendo na Índia demonstra que o vírus sofreu uma mudança que aumentou sua capacidade de transmissão e pode estar associada também, à maior gravidade”, afirma o infectologista Eduardo Medeiros, coordenador da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) Corporativa da SPDM - Instituições Afiliadas. “O que nos preocupa é que estas novas variantes possam escapar da resposta imunológica promovida pelas vacinas ou até mesmo causar reinfecção naqueles que já tiveram a doença anteriormente”.

O Maranhão confirmou os primeiros casos da variante indiana nesta quinta-feira (20). Trata-se de seis tripulantes que testaram positivo para Covid-19 após chegarem ao país em um navio que veio da África do Sul. A embarcação foi colocada em quarentena e o sequenciamento do genoma em amostras do vírus confirmou a presença da cepa, responsável pela explosão de casos e colapso da saúde na Índia. De acordo com Eduardo Medeiros, essas medidas são importantes para evitar a linhagem em território nacional e é preciso também “restringir voos procedentes da Índia, controle rigoroso nos portos e aeroportos, isolamento por 14 dias de pessoas vindas de áreas com circulação de novas variantes, testagem para identificar rapidamente viajantes com a infecção e sequenciamento dos vírus para identificar novas linhagens”. 

A cidade de São Paulo iniciou estudos junto ao Instituto Butantan para monitorar quais as linhagens que circulam na capital paulista. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde do município, já foram feitas coletas de testes sorológicos, que estão sendo estudados pelo Instituto Butantan para a adoção, em caso de necessidade, das medidas sanitárias cabíveis. Ainda segundo a prefeitura, até o presente momento, a variante indiana não foi encontrada na cidade.

Os resultados dos testes devem ser apresentados em até 20 dias e autoridades sanitárias alertam que, diante do cenário brasileiro, mutações do coronavírus podem trazer consequências graves para o país. “A circulação de novas variantes pode aumentar rapidamente o número de casos, internações e óbitos pela Covid-19 no Brasil”, diz Eduardo Medeiros.

Para controlar a pandemia com diminuição do número de casos da doença e evitar que novas variantes apareçam, é necessário manter os protocolos já preconizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como distanciamento social, restrição de circulação de pessoas, uso de máscara e higiene das mãos com água e sabão ou álcool em gel 70%, além de adesão à vacina. “Quando diminuirmos o número de casos, reduziremos a circulação do vírus e, consequentemente, o surgimento de novas linhagens”, ressalta Eduardo Medeiros.

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