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Tratamento contra o fumo é oferecido gratuitamente em CAPS e UBS em SP

Tratamento contra o fumo é oferecido gratuitamente em CAPS e UBS em SP

Atendimento consiste na mudança de comportamento do fumante e suporte medicamentoso

 

Parar de fumar não é uma simples questão de força de vontade. O cigarro causa dependência química e quem decide por abandonar o vício passa por grandes desconfortos físicos e psicológicos que trazem sofrimento, muito devido a crises de abstinência. Entender o que acontece com o tabagista e suas tentativas de parar de fumar é fundamental para que se possa ter a real dimensão do problema.
No panteão das drogas, o cigarro está próximo da heroína e do crack, com um potencial de dependência de mais de 50% - metade das pessoas que experimentam fumar fica dependente. Isso porque a nicotina tem um efeito rápido: depois de aceso, leva poucos segundos para chegar ao cérebro e alterar o Sistema Nervoso Central; e passa rápido – em menos de duas horas passa o efeito estimulante.
A boa notícia é que hoje qualquer cidadão que queira parar de fumar pode se dirigir a uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou a um Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas (CAPS-AD), que será acolhido e imediatamente integrado a um grupo de tratamento para cessação de tabagismo.
“Estamos preparados para receber e atender qualquer pessoa que busca tratamento. Estamos de portas sempre abertas”, afirma o psiquiatra Guilherme Gregório, Coordenador de CAPS gerenciados pela Sociedade Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde.
O tratamento oferecido pela rede pública é orientado pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) e é baseado em terapia cognitiva/comportamental, ou seja, é orientado para a mudança do comportamento do fumante. O suporte medicamentoso, composto por adesivo e goma de nicotina e bupropiona, é um aliado importante, pois ajuda a amenizar os efeitos da abstinência.


90% largam o cigarro após o tratamento em CAPS-AD

 

No CAPS-AD Santana, os números comprovam o sucesso do tratamento. “Nossos dados indicam que, após as seis sessões do tratamento, que duram dois meses, apenas 1 em cada 10 pacientes voltam a fumar”, relata Patrícia Alves, uma das psiquiatras que acompanham o tratamento na unidade.
Altas taxas de sucesso são particulares deste tipo de tratamento, identificadas nos outros Centros de Atenção Psicossocial administrados pela SPDM e também em tendência apontada pelo INCA. “Ir buscar atendimento já é uma mudança de comportamento. A pessoa se decidiu, tomou a iniciativa e assim faz o tratamento da forma correta”, explica Gregório.
A mudança de comportamento precisa ser mantida em longo prazo, pois o vício do cigarro está permeado de “gatilhos”, situações que lembram o ato de fumar. Muitas pessoas associam o cigarro ao café, ao fim das refeições, ao coquetel no fim do dia. Para algumas pessoas, o hábito é tão antigo que os “gatilhos” nem podem mais ser identificados.
Os motivos que levam as pessoas a procurar ajuda para parar de fumar são variados, entre eles estão a preocupação com a saúde, influência ou pressão familiar e de amigos e também dinheiro – já que hoje, uma pessoa que fuma um maço de cigarros por dia gasta, em média, mais de R$ 200,00 ao mês.
Políticas públicas de restrição do tabaco
Em 1989, o percentual de fumantes de 18 anos ou mais no país era de 34,8%, segundo o INCA. Já em 2013, de acordo com pesquisa mais recente para essa mesma faixa etária em áreas urbanas e rurais, este número caiu para 14,7%. Essa diminuição do número de fumantes se deve às políticas públicas de restrição do tabaco.
“O Brasil foi um dos primeiros países a aderir à solicitação da Organização das Nações Unidas, ONU, na criação de uma política antitabaco. Acabou com a propaganda de cigarros, que tinha uma linguagem moderna e atraente e era responsável por trazer jovens fumantes ao vício e proibiu o cigarro em locais fechados. Estamos na contramão nessa questão - enquanto vemos o número de fumantes diminuir ano a ano, em países da Europa, por exemplo, o número de fumantes vem aumentando”, explica Sérgio Duailibi, médico do Trabalho e atuante na política de drogas, coordenador do Programa Apoio, da SPDM.
Participar do programa oferecido na rede pública é mais fácil que achar o isqueiro: basta se dirigir a uma UBS ou a um CAPS-AD e pronto. A lista de endereços pode ser encontrada no site www.prefeitura.sp.gov.br.

 

 

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