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Dengue, zika e chikungunya – o que esperar em 2016?

Dengue, zika e chikungunya – o que esperar em 2016?

O ano de 2015 foi marcado pela dengue: o último Boletim Epidemiológico lançado pelo Ministério da Saúde do ano passado aponta que, em todo o Brasil, foram notificadas 1.587.080 infecções por dengue. 839 pessoas morreram pela doença – um recorde em seu histórico de epidemias.

O primeiro semestre foi o mais crítico, por se tratar do período e chuvas com temperaturas mais altas, ambiente propício para a proliferação do aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue.

Mas 2015 foi um ano mais quente e com períodos de seca, o que ajudou a diminuir, mas não encerrar a epidemia. Só no último trimestre foram registrados mais de 120 mil casos da doença.

Como se não bastasse o cenário calamitoso, outros dois males transmitidos pelo mesmo mosquito vieram assombrar os brasileiros: a febre chikungunya e o vírus zika.

O zika surpreendeu e aterrorizou o país, principalmente a região nordeste, em especial Pernambuco. Com sintomas brandos e passageiros, os sintomas provocados pela doença aparentemente só exigiam alguns dias de repouso e pronto. Mas a coisa ficou séria quando casos de microcefalia foram relacionados à doença e até o dia sete de janeiro de 2016 o Ministério da Saúde registrou 3.174 casos confirmados de microcefalia relacionados ao zika.

O que a dengue, zika e chikungunya têm em comum é que são doenças febris agudas transmitidas pela picada do mesmo inseto. A dengue e a chikungunya têm sintomas e sinais parecidos, a começar pela febre alta e dor de cabeça. Enquanto a dengue se destaca pelas dores nos corpo e manchas e erupções na pele, a chikungunya se destaca por dores e inchaço nas articulações. Já a zika pode até nem apresentar febre, mas é marcada por manchas na pele e coceira no corpo.

Riscos e complicações

“A dengue é a mais grave de todas, pelo risco de dengue hemorrágica que pode evoluir à óbito. As demais viroses têm menor risco de complicações. O critério usado para a gravidade é a possibilidade de causa de dano irreversível ao ser humano ou mesmo morte”, explica Bráulio Araújo, infectologista Hospital Geral de Pirajussara, unidade da Secretaria de Estado da Saúde gerida pela Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM).

As complicações, para a dengue, além da hemorragia, envolvem a desidratação grave, muito perigosa porque pode passar despercebida.  No caso da chikungunya, as complicações englobam dores por longo tempo nas articulações, o que impede o retorno às atividades normais. As complicações da zika, relacionadas mais recentemente, são, além da microcefalia, que ocorre durante a gravidez, também o desenvolvimento da Síndrome de Guillain-Barré (saiba mais sobre essa doença abaixo).

Tratamento e prevenção

“Não há tratamento específico para nenhuma dessas doenças. Tratamos os sintomas e suas consequências. Se, por exemplo, a pessoa apresenta sangramento, tratamos esse sangramento. Se há febre, prescrevemos antitérmico, etc.”, explica o infectologista.

Recentemente o Ministério da Saúde liberou uma vacina para a dengue, que apresenta uma taxa de sucesso em prevenção na casa dos 60%. Ela é indicada para a faixa etária de nove a 49 anos de idade.

“Contudo, o modo mais seguro de prevenção contra dengue, zika e chikungunya ainda é não se deixar picar pelo mosquito”, afirma Bráulio. O ciclo de transmissibilidade tem início nos criadouros, exclusivamente água limpa e parada, onde o mosquito põe os ovos que, encontrando condições favoráveis, eclodem em larvas. Essas larvas se desenvolvem até a forma adulta do mosquito. São as fêmeas do mosquito que picam o ser humano, dando assim continuidade ao ciclo.

É importante frisar que, segundo entidades da área da saúde, como a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, 80% dos criadouros do mosquito transmissor estão em imóveis residenciais, o que torna o engajamento de toda a população no combate à doença como essencial. Nada de água parada em baldes, vasos e poças. O mosquitinho gosta é de água limpa e fresca.

Estudos apontam que 2016 será um dos anos mais quentes que se têm notícias, um dos fatores propícios ao desenvolvimento do aedes. Para quebrar a força da epidemia, é preciso que todos se unam no combate a essas doenças completamente preveníveis.

“É preciso quebrar o ciclo de transmissibilidade. Se você não é picado, não é infectado pelo vírus. Se for vacinado, mesmo que seja picado, não adoecerá. Se não há ovos, não há mosquito. Se matarmos as larvas, não haverá mosquitos tampouco. Por fim, se não há pessoas doentes, os mosquitos, ao sugarem sangue de humanos, não se contaminam também. Apesar de todos os esforços, estudos epidemiológicos existentes demonstram ser falha a tentativa de controle de epidemias somente com o controle do mosquito adulto. O melhor caminho a se seguir é agir em todas as etapas do ciclo ao mesmo tempo”, ensina o infectologista.

Síndrome de Guillain-Barré

Trata-se de uma patologia de causa ainda não muito bem definida. O que se sabe, até o momento, é que ela aparece sempre após um episódio infeccioso, como pneumonia, infecção urinária e, particularmente, depois de uma infecção viral, momento no qual o sistema imunológico produz uma quantidade enorme de anticorpos para justamente combater a infecção.

“Esses anticorpos em excesso no sangue acabam por atacar outras estruturas do corpo, e não somente as bactérias ou vírus que causaram a infecção inicial. O alvo principal desses anticorpos desgovernados é o sistema nervoso, especialmente as fibras nervosas responsáveis pela condução de estímulos aos músculos”, ilustra o infectologista.

Assim, uma pessoa com a síndrome desenvolve progressivamente fraqueza muscular, que se inicia nos membros inferiores e progride de forma cranial. Dependendo da gravidade, pode ocorrer até a paralisia dos músculos respiratórios, exigindo atendimento intensivo aos pacientes.

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