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Saiba como o horário de verão interfere no nosso organismo

Saiba como o horário de verão interfere no nosso organismo

Entra ano, sai ano e lá pelo mês de outubro somos sempre lembrados que devemos ajustar nossos relógios ao horário de verão. O objetivo é estimular um aproveitamento maior da luz natural e, assim, gerar uma economia de energia. Odiado por uns e amado por outros, o fato é que o horário de verão mexe com o funcionamento do nosso organismo. Vamos entender o que acontece!

O relógio biológico

Primeiro precisamos entender como funciona o nosso relógio biológico. O professor de neurologia e chefe do setor de Medicina do Sono da Universidade Federal de São Paulo, Gilmar Fernandes do Prado, nos explica.

“O funcionamento do nosso corpo é regulado por uma pequena estrutura chamada núcleo supraquiasmático (NSQ), que fica no nosso cérebro. Mais precisamente, ele está localizado no hipotálamo, uma região crucial para a coordenação de funções metabólicas como a temperatura corporal, apetite, sono, sede, pressão arterial, dentre outros.

Nosso corpo está adaptado aos períodos de claro e escuro, sendo o período escuro aquele em que estamos acostumados a dormir. Quando o período escuro se inicia, nosso cérebro, através da glândula pineal, produz um hormônio chamado melatonina. Ela é produzida porque o NSQ percebeu a diminuição da luz. Nós, seres humanos, conseguimos modificar esse comportamento, resistindo a essa tendência e adaptando o horário de dormir conforme nossas necessidades. No entanto, isso pode ser prejudicial para algumas pessoas”.

O que muda?

Agora que entendemos nosso relógio biológico, vamos às mudanças. Quando adiantamos uma hora do nosso relógio no início do horário de verão, não é só o sono que é afetado. “Várias funções do nosso corpo ficam dessincronizadas, principalmente o sono, mas também o apetite e o funcionamento intestinal, que não depende apenas dos alimentos ingeridos, mas também do horário em que se alimenta”, explica Gilmar Prado.

Nos primeiros dias da mudança, as pessoas costumam passar o dia mais cansadas e sonolentas, além de se alimentarem em horários diferentes do que estão acostumadas. O professor explica que as principais alterações são a sonolência, fadiga, desregulação do horário de alimentação, mudança no funcionamento do intestino e outras mudanças que são mais sutis, mas que envolvem a produção de outros hormônios, como o cortisol e funcionamento renal. “É importante saber que a fadiga e sonolência podem ser prejudiciais ao bom desempenho no trabalho, principalmente nas atividades de risco, como a direção de veículos. Várias pesquisas mostram que no início do horário de verão o número de acidentes de trânsito é maior, e também o número de feridos nesses acidentes”, afirma Prado.

Em geral, a maioria das pessoas consegue se adaptar bem logo após as duas primeiras semanas do início do horário de verão, principalmente quem tem hábitos matutinos. Mas algumas pessoas podem permanecer inadaptadas durante todo o período, como destaca Gilmar: “aqueles que têm hábitos mais vespertinos, os notívagos, ou seja, aqueles que têm mais energia à noite, sofrem muito mais. Eles acabam reduzindo muito o tempo de sono, pois já vão dormir tarde e ainda terão que acordar uma hora mais cedo”.

Para essas pessoas, o horário de verão pode se tornar um pesadelo já que a falta de sono pode ser muito prejudicial e, quando se torna algo crônico, podem ocorrer alterações significativas. “O sistema nervoso vegetativo aumenta sua atividade, ocorre uma tendência a alterações na glicose, pressão arterial, alimentação (indivíduos que dormem menos tendem a ser mais obesos, pois alimentar-se aumenta o alerta, por exemplo), cansaço, irritabilidade com consequente dificuldade de relacionamento nos ambientes sociais, incluindo o trabalho, humor deprimido, desatenção e, portanto, erros nas atividades laborais. Além disso, tendem a prejudicar o sistema imunológico e ter uma pior capacidade de defesa contra agentes infecciosos”, lembra o especialista. Segundo ele, mais de 40% das pessoas apresentam sono insuficiente, “motivados pelas inúmeras atividades e possibilidades de se manterem acordadas, incluindo as mídias sociais e toda a sorte de avanço tecnológico”.

Crianças que estudam de manhã tendem a ser mais prejudicadas pela mudança, algumas conseguirão estar completamente acordadas, sem sonolência alguma, somente após as 10 horas da manhã.

Gilmar Prado explica que para amenizar as alterações no organismo, é importante regularizar o sono, no mínimo, três dias antes do início do horário de verão. “Se você entrar no horário de verão sem déficit de sono, então se adaptará mais facilmente”. Além disso, ele também aconselha cortar algumas atividades noturnas para recuperar o sono que está sendo perdido. “Aqueles que estiverem com muita dificuldade deverão procurar ajuda de um neurologista especialista em sono”, finaliza.

Neste ano, o horário de verão começa no dia 16 de outubro de 2016 e vai até 19 de fevereiro de 2017. Quem está nos estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste deverá adiantar o relógio em uma hora.

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