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Cyberbullying, pressão social e alterações hormonais ajudam a tornar a depressão a principal doença entre adolescentes no mundo

Cyberbullying, pressão social e alterações hormonais ajudam a tornar a depressão  a principal doença entre adolescentes no mundo

Pais e responsáveis são alguns dos principais aliados no combate a doença, 
precisando ficar atentos para as mudanças de comportamento dos adolescentes

Mudanças de comportamento e de humor, irritação, recusa em ir à escola, desejo de fugir de casa, alterações no padrão de sono. Poderíamos pensar que estes seriam apenas sinais comuns da adolescência, um período de grandes mudanças. Mas, podem ser também sinais de um mal que vem crescendo entre adolescentes e jovens: a depressão.

Sabemos que a adolescência é um período conturbado, devido a mudanças tanto físicas (com a chegada da puberdade) quanto sociais - muitos mudam de escola nesta fase, precisam começar a pensar na carreira que gostariam de seguir, ou enfrentam situações complexas nas relações familiares, por exemplo. “A depressão paterna ou materna também é um fator de risco consistente para a depressão nos filhos. Eventos de vida estressantes, como perdas, também podem aumentar o risco para o desenvolvimento de depressão, assim como a falta de cuidado dos pais e rejeição”, explica a psiquiatra Gabriela Siloto, do Ambulatório Médico de Especialidades (AME) Psiquiatria Vila Maria.

No Brasil ainda não há um estudo formal que traga dados sobre a depressão em adolescentes e jovens, mas especialistas concordam que os casos estão aumentando. Um estudo americano da Universidade John Hopkins acessou dados de adolescentes de 12 a 17 anos e jovens adultos de 18 a 25, e constatou que a taxa dos que reportaram algum tipo de episódio de depressão cresceu 37% entre 2005 e 2014. O mesmo estudo também mostra que as meninas estão sendo mais afetadas.

A psiquiatra Gabriela Siloto explica que há realmente um aumento na proporção de mulheres apresentando quadros de depressão após a puberdade, sugerindo que as alterações hormonais têm um papel relevante nesse fenômeno, atuando no sentido de aumentar a sensibilidade a fatores estressores. Além disso, questões culturais também podem influenciar, como, por exemplo, a pressão que meninas sofrem para atingir determinados padrões de beleza.

Outro dado preocupante é o aumento na taxa de suicídio entre os jovens. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão é a principal doença entre os adolescentes no mundo e a segunda principal causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos. No Brasil, dados do Mapa da Violência, elaborado pelo pesquisador Julio Jacobo Waiselfisz, coordenador da Área de Estudos sobre Violência da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, mostram que em 2002 a taxa de suicídios na população entre 15 e 29 anos era de 5,1 por 100 mil habitantes. Em 2014, esse número passou para 5,6 por 100 mil habitantes, um aumento de quase 10%. De 1980 a 2014 houve um crescimento de 27,2%.

Os sinais e sintomas da depressão em adolescentes podem ser diferentes dos que são observados em adultos. “Alguns comportamentos que chamam a atenção são irritabilidade, perda de interesse em atividades de lazer que costumavam ser prazerosas, como sair com os amigos. Isolamento social, recusa em ir à escola e piora no desempenho acadêmico são pontos de alerta, assim como alterações no padrão de sono, queixas frequentes de dor de cabeça, mal estar e dores abdominais sem causa aparente. O surgimento de comportamentos como postura mais desafiadora, desejo de fugir de casa, provocações, abuso de álcool e outras substâncias também pode ser um sinal da doença”, explica Gabriela Siloto.

É importante lembrar também que, mesmo nesta fase, a depressão pode ser uma comorbidade e estar associada a comportamentos ligados ao tabagismo, uso de álcool e outras substâncias, prejuízos na escola, sedentarismo e distúrbios do sono. Por isso, é importante acompanhar de perto a rotina e estimular o diálogo com os adolescentes, estando atento a mudanças de comportamento.

A influência da internet e o cyberbullying

A internet trouxe maior comodidade e facilidades à vida das pessoas, por isso seu impacto negativo muitas vezes é subestimado. “Se o uso da internet começa a tomar grande parte do tempo da criança ou do adolescente, fazendo com que seu humor e seu desempenho acadêmico e social sejam afetados, é o momento de considerar uma intervenção”, diz a psiquiatra.

De acordo com a especialista, estudos mostram que adolescentes com transtornos emocionais e de comportamento são mais vulneráveis aos impactos negativos da internet. “Essas pesquisas mostram ainda que crianças e adolescentes portadores de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, depressão e aqueles que têm isolamento social apresentam maior risco para o uso prejudicial da internet”, explica Siloto.

E se na vida real adolescentes estão a mercê do bullying, na internet eles também não estão livres do problema. O cyberbullying pode ter um alcance ainda maior e provocar danos mais graves, dependendo da situação. “Há pesquisas que mostram que de 20% a 40% dos adolescentes sofrerão ao menos uma experiência relacionada ao cyberbullying na puberdade. E o número de vítimas está aumentando”, diz a psiquiatra.

Não esconda!

O tratamento é o principal recurso para ajudar os jovens a enfrentar e superar a depressão. Por isso, os pais ou responsáveis devem ficar atentos aos sinais pontuados nesta matéria e conversar sobre o assunto com os jovens, para entenderem o que está acontecendo e poderem ajudá-los. No caso dos adolescentes, a escola pode e deve ser uma aliada neste processo.

A psiquiatra explica que o tratamento é multiprofissional e deve ter como objetivo estabilizar o quadro o mais rápido possível, para assim evitar prejuízos cognitivos, emocionais e sociais para o adolescente. “Não tratar estes pacientes pode interferir de maneira permanente no seu processo de desenvolvimento”, alerta Gabriela.

O tratamento vai depender da gravidade de cada caso, mas pode aliar psicoterapia e medicações antidepressivas.

O AME Psiquiatria recebe crianças e adolescentes com sintomas depressivos moderados a graves para tratamento, que são encaminhadas ao serviço por meio de Unidades Básicas de Saúde, Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), prontos-socorros ou outras unidades que tenham acesso ao sistema da Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (CROSS). A abordagem dos pacientes é individualizada através do projeto terapêutico singular, no qual são avaliadas as intervenções indicadas, de acordo com a necessidade.

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