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Saiba mais sobre a Fibromialgia

A fibromialgia, doença que causa dor difusa e crônica, é o tema desta entrevista com o Dr. Daniel Feldman Pollak, reumatologista do Hospital São Paulo.

O especialista aborda temas como a dificuldade de diagnóstico, que é eminentemente clínico, e o controle da doença, por meio de recursos como atividade física, acupuntura, terapia e medicamentos.

Como se pode definir a fibromialgia?
A fibromialgia é uma síndrome de dor crônica referida principalmente em músculos e articulações, de causa desconhecida. Normalmente é acompanhada por outros sintomas, como distúrbios do sono e fadiga.

Quais são os principais sintomas?
Os principais sintomas da doença são dor difusa, fadiga e/ou cansaço e alteração do humor. Uma pessoa pode ter dor crônica na coluna cervical e isso não significa necessariamente que tenha fibromialgia, mas, se ela tiver dores na coluna e em diversas outras partes do corpo, já é possível fazer um diagnóstico de fibromialgia.

Quais são as causas dessa doença?
Não há como saber a origem da doença. O processo final é o mesmo para todos, mas o que o causou e como se chegou lá, isso é diferente para cada paciente.
A dor é sempre uma sensação desagradável, subjetiva. Existem pessoas que vivenciam traumas físicos e nunca mais deixam de sentir dor, outras passam por isso devido a um trauma emocional. O sentimento emocional que causa dor não é o agudo, é um processo de desgaste muito grande. Todas as síndromes dolorosas têm o mesmo mecanismo.

Qual é a incidência da doença e o público mais atingido?
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, 22% da população mundial tem dores inexplicáveis por mais de duas semanas, em algum período de sua vida.
E, nesse contingente, duas mulheres para cada homem – o gênero feminino tem mais dor do que o masculino.
Algo em torno de 4% a 5% da população adulta atual mundial tem fibromialgia, e de novo a mulher é mais comprometida que o homem – de quatro a cinco mulheres para cada homem acometido.
Uma das explicações prováveis é o limiar neurosensorial, que é quando o sistema nervoso de uma determinada pessoa muda de pressão/desconforto para dor. Esse limiar neurosensorial, especialmente o tátil, é muito inferior no gênero feminino. Então, qualquer alteração desse limiar é mais fácil de gerar um quadro clínico doloroso na mulher. O que definitivamente não está relacionado a comportamentos ou condutas nem ao nível de estímulo necessário para que o homem ou a mulher digam que dói. A mulher sente dor antes do homem.

Há alguma relação hormonal?
Não há provas conclusivas, mas acredita-se que sim. Entre os nove e os 12 anos de idade, meninos e meninas têm uma incidência de dor crônica muito semelhante, mas na puberdade as meninas começam a sentir mais dor.
Principalmente quando as mulheres se aproximam da sexta década de vida, no período pós-menopausa, a sensação dolorosa tende a aumentar e a continuar aumentando, pois existe uma tendência de a dor aumentar com a idade.

Existe relação entre depressão e fibromialgia?
Não existe a confirmação de que os pacientes já tinham depressão ou a desenvolveram por causa da fibromialgia.
Não há provas de causa e efeito. Contudo, 35% das pessoas com fibromialgia têm depressão.

Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é apenas clínico – anamnese e exame físico –, pois não existem exames laboratoriais para diagnosticar a fibromialgia.

Qual é o tratamento indicado para a Fibromialgia? Fibromialgia tem cura?
O tratamento é crônico, não há cura. Mas é possível manter o controle por meio de alguns recursos, como educação, atividade física,
acupuntura, terapia psicológica cognitivo-comportamental e alguns medicamentos. Nenhum remédio é utilizado isoladamente,
nem mesmo analgésicos leves ou anti-inflamatórios, já que podem viciar o paciente. Funcionam alguns antidepressivos e anticonvulsivantes, e a associação deles com analgésicos.

Existe verdade na afirmação de que exercícios físicos ajudam a atenuar os sintomas da fibromialgia? Em caso positivo,
que exercícios são recomendados?
A atividade física é a pedra angular do tratamento. Isso não significa prática de esportes, mas atividade aeróbica, por meio de exercícios de baixa intensidade e de alta frequência, ou seja, caminhar de 20 a 30 minutos por dia, sete dias por semana. De 30% a 40% dos pacientes de fibromialgia podem melhorar apenas com isto: “um comprimidinho chamado caminhada”.

A fibromialgia pode ser considerada uma doença incapacitante sob o ponto de vista físico e o psicológico?
Não há como ficar incapacitado pela fibromialgia, mas sim debilitado.

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