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A desinformação é que é bizarra. Lúpus não é um bicho de sete cabeças

A desinformação é que é bizarra. Lúpus não é um bicho de sete cabeças

Essa doença multifacetada tem como símbolo a borboleta

Muitos portadores de doenças crônicas acabam por experimentar situações constrangedoras. Na maioria dos episódios, a desinformação é a grande vilã. Talvez, temendo momentos assim, pessoas acabam por não falar abertamente sobre suas enfermidades.

Com Selena Gomez, um ícone jovem que tem fãs no mundo inteiro, foi assim. Ela foi alvo de especulações em manchetes por toda a parte, dando como certo que a atriz e cantora estava em reabilitação da dependência de drogas.

A pop star americana trabalha desde os sete anos de idade em filmes e séries infantis e, aos 17 anos, foi embaixadora da Unicef, mas teve que vir a público desmentir a história. Em entrevista recente para a revista americana Billboard, afirmou que o que a manteve afastada não foram as drogas, mas sim o tratamento contra o lúpus, e disse ainda que chegou a fazer quimioterapia como parte do tratamento.

Não é de se estranhar que só após quase dois anos Selena tenha se sentindo à vontade para falar de sua doença. Lúpus não tem cura, e suas consequências podem ser bem graves.

Em um programa de talentos na televisão brasileira, uma das juradas, ao saber que a participante que acabara de se apresentar era portadora de lúpus, soltou um comentário nada feliz:  “ter lúpus é realmente bem bizarro”.

Outras celebridades, como a cantora americana Lady Gaga,  a jornalista brasileira Astrid Fontenele, a cantora Toni Braxton e o cantor americano Seal já assumiram que convivem com o lúpus, e continuam brilhando em suas atuações. Isso porque lúpus não é um bicho de sete cabeças.

Lúpus

Apesar de afetar cerca de cinco milhões de pessoas ao redor do mundo, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o lúpus é tratável, e o portador da doença, quando bem acompanhado pelo médico, pode ter uma vida normal.

Trata-se de uma doença crônica, autoimune, que ocorre quando o sistema de defesa do organismo se confunde e decide atacar a si mesmo. No caso dessa doença específica, o sistema imunológico se volta contra os tecidos e órgãos do corpo, como pele, articulações, fígado, coração, pulmão, rins e/ou cérebro.

“É uma doença inflamatória crônica desenvolvida por disfunção do sistema imune. Quanto mais cedo for diagnosticada, e com tratamento adequado, maiores são as chances de evolução satisfatória", explica Daiane Campos de Moraes, reaumatologista do Ambulatório Médico Especialidades (AME), de Taboão da Serra, unidade gerenciada pela Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM)

O desenvolvimento e sintomas do lúpus são desses que pregam peças e se confundem com outras doenças, o que leva a diagnósticos mais tardios. Não tem cura, mas o tratamento adequado trás o conforto de uma vida normal. Quando não tratada a doença, as complicações podem impossibilitar a vida.

A causa da doença ainda é desconhecida, mas sabe-se que as mulheres são cerca de 10 vezes mais afetadas que os homens, principalmente na faixa etária de 20 a 30 anos. E também foram identificados alguns fatores precipitantes, como exposição ao sol, infecções, estresse, cirurgias e gravidez.

Sintomas e tratamento

Os sintomas podem aparecer tanto aos poucos como evoluir de forma rápida e os principais são: emagrecimento, lesões cutâneas, dor nas juntas, queda de cabelo, aftas, febre, perda de apetite e fraqueza. Insuficiência renal é a mais grave consequência do lúpus.

Muitas vezes os sintomas apresentados são tão díspares, tão diferentes entre si, que identificar a doença se torna um desafio. É necessária uma avaliação clínica bem minuciosa, com exames de sangue, urina e imagem. O diagnóstico é feito com base em um conjunto de sinais e sintomas.

Atualmente os medicamentos existentes são bastante eficientes no controle da doença, mas como o lúpus pode afetar órgãos diferentes em casa pessoa, ou apresentar sintomas diferentes, o tratamento precisa ser estruturado caso a caso, de forma personalizada.

“Mesmo com doença estável é importante o acompanhamento regular com especialista, o uso correto das medicações e a realização de exames de controle. A doença poderá ser ativada por um simples gatilho, como exposição à luz solar, por isso a importância do filtro protetor solar diariamente”, explica a reaumatologista.

As pessoas devem ficar atentas à lesões na pele, cansaço, falta ar, febre, dor e/ou inchaço nas juntas, convulsão, perda de peso e queda cabelo acentuada .  Em caso de alguns desses sintomas, procure um médico.

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