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Mitomania: saiba o que é a doença da mentira patológica

Mitomania: saiba o que é a doença da mentira patológica

Quem nunca contou uma mentirinha que atire a primeira pedra. Seja aquele elogio não tão sincero, ou esquecer a data do aniversário de casamento e dizer que, na verdade, não tinha esquecido, mas estava preparando uma surpresa. Mentir uma vez ou outra faz parte do comportamento humano, é normal e todos nós fazemos, em maior ou menor grau.  O problema surge quando a pessoa mente com frequência e entra num ciclo em que as falsas histórias acabam se tornando um estilo de vida. Mentir compulsivamente é uma doença conhecida como mitomania.

“A mitomania, também conhecida como mentira patológica e pseudologia fantástica, é a tendência duradoura e incontrolável para a mentira”, explica o psiquiatra e Coordenador da Equipe de Transtornos Psicóticos do AME Psiquiatria, Deyvis Rocha. O mitômano é aquela pessoa que mente compulsivamente, sejam pequenas mentiras “inofensivas” até histórias mirabolantes extremamente detalhadas.

De acordo com o especialista, a mitomania também é um sintoma associado ao transtorno factício, quando o paciente produz intencionalmente sintomas físicos ou mentais de alguma doença. “Esses casos vão desde pessoas que fingem ter um surto psicótico ou sofrer de amnésia, até indivíduos que simulam vários sintomas e sinais de doenças físicas, fabricam resultados de exames, falsificam prontuários médicos para indicar uma anormalidade inexistente”.

O psiquiatra explica que algumas características chamam a atenção na mitomania:

  1. As histórias contadas não são inteiramente improváveis e contêm referências à realidade.
  2. As aventuras imaginárias se manifestam em várias circunstâncias e de uma maneira crônica.
  3. O tema das aventuras é variado, mas o mentiroso acaba sempre se pintando como herói.
  4. As histórias não são usadas para obter vantagem ou recompensa.

“Um protótipo de mitômano é o Pantaleão, personagem de Chico Anysio, que ao final de cada história mirabolante, perguntava “é mentira, Terta?””, lembra Deyvis Rocha.

A ciência ainda não sabe o que leva alguém a se tornar um mentiroso patológico, mas sabe-se que mentir frequentemente está relacionado a alguns transtornos de personalidade, como o antissocial e o borderline. A pessoa mente compulsivamente, mas tem plena consciência de que o que diz é mentira. “Do contrário, teríamos de considerar que a pessoa estaria fazendo um relato não mentiroso, mas sim delirante”, destaca o psiquiatra.

Diagnóstico e tratamento

Com relação à mitomania, pode ser difícil diferenciar o normal do patológico e fazer o diagnóstico. “Se a pessoa mente com muita freqüência e continua a fazê-lo mesmo quando suas mentiras já estão reveladas, e se ela enfrenta dificuldades recorrentes com outras pessoas e ou com as autoridades por mentir tanto, isso é sinal de uma doença e aí o diagnóstico pode ser feito”, explica Rocha. O teor das mentiras também pode ajudar a diagnosticar um mitômano, já que costumam ser muito fantasiosas e extremas.

O psiquiatra lembra que o mentiroso compulsivo não mente para obter algum tipo de vantagem, como uma posição social melhor ou a ausência a algum compromisso, a pessoa mente simplesmente porque não consegue parar, não consegue controlar.

O tratamento pode ser bastante complicado, principalmente porque muitos mentirosos compulsivos não se tornam pacientes. O mentiroso patológico nunca acha que está doente e, em geral, o tratamento vai acontecer quando ele cruzar com um psiquiatra, por exemplo, quando tiver problemas com a Justiça devido às suas mentiras. Também é difícil falar em cura porque mentirosos patológicos não costumam procurar ajuda por conta própria, já que não acham que estão fazendo mal a ninguém.

O grande problema é que a mitomania não vai afetar somente o paciente. As consequências se estendem para relacionamentos familiares, amorosos e de amizade. Perde-se a confiança e o mitômano acaba até mesmo por ser afastado de todo o seu círculo social.

Como identificar um mentiroso patológico?

É preciso ficar atento, pois mentir muito pode sim ser sinal de mitomania. Segundo o especialista, todos somos mentirosos e até mesmo a natureza mente, uma característica importante para a preservação da espécie. “A camuflagem do camaleão não é um tipo de mentira, de engano? O vírus HIV é um exímio enganador, pois tem a capacidade de realizar mutações que enganam o nosso sistema de defesa e as medicações”, afirma o psiquiatra.  Mas, como dito anteriormente, o problema aparece quando a mentira é desproporcional e frequente da vida da pessoa.

Muito se fala sobre como os sociopatas mentem inescrupulosamente, mas há diferenças entre eles e os mitômanos. “O sociopata pode mentir bastante e entende-se que ele vai fazê-lo sempre que precisar para alcançar o seu objetivo, já o mentiroso compulsivo mente por fatores psicológicos, por uma necessidade incontrolável e irrefreável de mentir, sem que haja um propósito nisso”, explica o especialista. 

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